Ideias inatas um texto de descartes

Primeiramente, considero haver em nós certas noções primitivas, as quais são como originais, sob cujo padrão formamos todos os nossos outros conhecimentos. E não há senão muito poucas dessas noções; pois, após as mais gerais, do ser, do número, da duração etc, que convêm a tudo quanto possamos conceber, possuímos, em relação ao corpo em particular, apenas a noção da extensão, da qual decorrem as da figura e do movimento; e, quanto à alma somente, temos apenas a do pensamento, em que se acham compreendidas as percepções do entendimento e as inclinações da vontade; enfim, quanto à alma e ao corpo em conjunto, temos apenas a de sua união, da qual depende a noção da força de que dispõe a alma para mover o corpo, e o corpo para atuar sobre a alma, causando seus sentimentos e suas paixões.

redação-enem-missão-enem-curso-online-medo-de-escrever-correção-de-redacao
DESCARTES, René. Carta a Elisabeth, Col. Os pensadores. São Paulo, Abril Cultural, 1973. p. 309.

Pequena lista de atividades de Português

Nesta pequena lista de exercícios vamos treinar um pouco mais de interpretação de textos. Os exercícios que trago vêm com gabarito para ajudar os estudantes que estão se preparando para o Enem e outros exames que exijam leitura. É preciso ainda que se compare as respostas para que sejam atacadas as deficiências na prática. Por isso mesmo sugiro que você veja outras atividades publicadas em nossos blogs.

Lista de exercícios

TEXTO IX

A função do artista é esta, meter a mão nessa coisa essencial do ser humano, que é o sonho e a esperança. Preciso ter essa ilusão: a de que estou resgatando esses valores.

(Marieta Severo, na Folha de São Paulo)

37) Segundo o texto, o artista:

a) leva alegria às pessoas.

b) valoriza o sonho das pessoas pobres.

c) desperta as pessoas para a realidade da vida.

d) não tem qualquer influência na vida das pessoas.

e) trabalha o íntimo das pessoas.

38) Segundo o texto:

a) o sonho vale mais que a esperança.

b) o sonho vale menos que a esperança.

c) sonho e esperança têm relativa importância para as pessoas.

d) não se vive sem sonho e esperança.

e) têm importância capital para as pessoas tanto o sonho quanto a

esperança.

39) A palavra ou expressão que justifica a resposta do item anterior é:

a) ilusão

b) meter a mão

c) essencial

d) ser humano

e) valores

40) A expressão “meter a mão”:

a) pertence ao linguajar culto.

b) pode ser substituída, sem alteração de sentido, por intrometer-se.

c) tem valor pejorativo.

d) é coloquial e significa, no texto, tocar.

e) é um erro que deveria ter sido evitado.

41) Só não se encontra no texto:

a) a influência dos artistas

b) a necessidade da autora

c) a recuperação de coisas importantes

d) a conquista da paz

e) a carência de sentimentos das pessoas

42) A palavra “esses” poderia ser substituída, sem alteração de sentido, por:

a) bons

b) certos

c) tais

d) outros

e) muitos

acesse-agora-missao-enem-600px

Gabarito dos exercícios

Texto IX

37) Letra e

O sonho e a esperança são coisas extremamente pessoais, que existem no mais profundo recanto de cada ser. O artista, segundo a autora, tem a capacidade de mexer ali, com o seu trabalho. A opção a poderia enganar alguns, já que a afirmação é indiscutível; mas não há nada no texto que diga isso. Assim, a resposta só pode ser a letra e, pois o sonho e a esperança, trabalhados pelo artista, estão no íntimo das pessoas.

38) Letra e

As três primeiras opções estabelecem algum tipo de comparação entre o sonho e a esperança, coisa que não aparece no texto.

A letra d parece ser a resposta, mas apresenta um radicalismo que não se deduz do texto, que não diz que todos sonham e têm esperança, ou mesmo que é impossível viver sem os dois. A letra e, que é a resposta, fala da importância que o sonho e a esperança possuem. No texto, a palavra que melhor explica esse fato é o adjetivo essencial. Veja a associação: coisa essencial —> importância capital.

39) Letra c

O comentário da questão anterior serve também para esta.

40) Letra d

Há muitas expressões que não pertencem à chamada língua culta, e sim à linguagem descontraída, familiar, que todos nós empregamos em determinadas situações. Meter a mão é uma dessas e tem, na realidade, mais de um significado. Pode ser entendida como roubar. Por exemplo: Ele é funcionário e, por causa disso, está metendo a mão. No texto, assumiu o valor de pegar, tocar. Cuidado para não optar pela letra b! A Ideia não é de intromissão, que tem valor pejorativo, mas de tocar o sentimento de alguém.

41) Letra d

O texto não faz nenhuma menção à paz. Por isso a resposta só pode ser a letra d. As três primeiras são evidentes. A “carência de sentimentos” da opção e se justifica com a palavra resgatando. Resgatando o quê? Dois sentimentos: o sonho e a esperança, que muitas pessoas perderam. Daí a palavra carência.

42) Letra c

Esses é pronome demonstrativo, refere-se a algo que passou no texto. A palavra tais tem o mesmo valor. Bons é adjetivo, estaria expressando uma qualidade que não se encontra no texto. Certos, outros e muitos são pronomes indefinidos e, da mesma forma que bons, mudariam o sentido da frase.

exercícios antes de ver o gabarito do Enem

enem-imagem-descomplica-é-bom-para-o-enemEstes são alguns exercícios bem práticos de uso da linguagem. São essenciais para o estudo da interpretação de texto e, neste caso, coerentes com o conteúdo do Enem. Claro que nos últimos dias os alunos desejam mais é saber o gabarito do Enem, mas antes de chegar o momento da divulgação, podemos estudar um pouco mais porque há vida após o Enem.

Lista de exercícios de interpretação

Leia a tirinha abaixo e em seguida responda à questão do vestibular de 2007 da UFPR (adaptada).

clip_image002

QUESTÃO 06 (Descritor: perceber efeitos em decorrência de ambiguidade).

Assunto: Procedimento de leitura / sobre leitura, textos e leitores.

Leia as afirmativas a seguir.

1. A tira demonstra que afirmar que algo foi dito implica, necessariamente, afirmar que o que foi dito é verdadeiro.

2. A resposta dada no segundo quadrinho mostra que a pergunta feita no primeiro quadrinho é ambígua.

3. A resposta do segundo quadrinho permite concluir que o produto em questão se conserta sozinho.

Com base na tira, é CORRETO afirmar que

a) somente a afirmativa 1 é verdadeira.

b)somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras.

c) somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras.

d)somente a afirmativa 2 é verdadeira.

e) somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras.

As questões 7 e 8 foram retiradas do vestibular de 2009 da UFPE.

TEXTO II

Compro, logo existo.

Templo de culto à mercadoria, o modelo do Shopping Center, como o conhecemos hoje, nasceu nos Estados Unidos na década de 1950. São espaços privados, objetivamente planejados, para a supremacia da ação de comprar. O que se compra nesses centros, contudo, é muito mais do que mercadoria, serviços, alimentação e lazer. Compra-se distinção social, sensação de segurança e ilusão de felicidade e liberdade.

O Shopping Center é um centro de comércio que se completa com alimentação, serviços e lazer. Ali o consumidor de mercadorias se mistura com o consumidor de serviços e de diversão, sentindo-se protegido e moderno. Fugindo de aspectos negativos dos centros das cidades e da busca conjunta de soluções para eles, os Shopping Centers vendem a imagem de serem locais com uma melhor “qualidade de vida” por possuírem ruas cobertas, iluminadas, limpas e seguras: praças, fontes, bulevares recriados, cinemas e atrações prontas e relativamente fáceis de serem adquiridas – ao menos para os que podem pagar. É como se o “mundo de fora”, a vida real, não lhes dissesse respeito...

O que essa catedral das mercadorias pretende é criar um espaço urbano ideal, concentrando várias opções de consumo e consagrando-se como “ponto de encontro para uma população seleta de seres “semiformados”, incompletos, que aceitam fenômenos historicamente construídos como se fizessem parte do curso da natureza.

O imaginário que se impõe é o da plenitude da vida pelo consumo. Nesses espaços, podemos ocupar-nos apenas dos nossos desejos – aguçados com as inúmeras possibilidades disponíveis de aquisição. Prevalece a idéia do “compro, logo existo”.

Além disso, esse mundo de sonhos que é o Shopping Center acaba reforçando nas pessoas uma visão individualista da vida, onde os valores propagados são todos relacionados às necessidades e aos desejos individuais – “eu quero, eu posso, eu compro”.

(Valquíria Padilha. A sociologia vai ao Shopping Center. Ciência Hoje, maio de 2007, p. 30-35. Adaptado.)

QUESTÃO 07 (Descritor: Identificar sugestões de posicionamento ao leitor)

Assunto: Procedimento de leitura / sobre leitura, textos e leitores.

O Texto 2, na forma mais, ou menos explícita como aborda o tema escolhido, convoca o leitor a aceitar (assinalar V ou F e depois selecionar a seqüência correta):

( ) a plenitude da vida, que é garantida pela alegria de poder “consumir”.

( ) a urgência de criação de espaços urbanos ideais, a serviço da população seleta e formada.

( ) os riscos subjacentes ao engodo que pode existir na ligação entre ‘comprar’ e ‘ser feliz’.

( ) os valores inerentes às funções dos centros comerciais, onde sobressai o lado solidário do homem.

( ) a superação do individualismo e o fortalecimento da compreensão do valor da vida solidária.

a) FFVFV

b)FFFFV

c) FVFFV

d)VFVFV

e) FFVFF

-descomplica-é-bom-descomplica-funciona


QUESTÃO 08 (Descritor: Identificar elementos de referenciação)

Assunto: Procedimento de leitura / sobre leitura, textos e leitores.

A referência a Shopping Centers foi realizada no Texto 2 por meio de expressões como (assinalar V ou F e depois selecionar a seqüência correta):

( ) “Templo de culto à mercadoria” (parágrafo 1).

( ) “essa catedral das mercadorias” (parágrafo 3).

( ) “O imaginário que se impõe” (parágrafo 3).

( ) “Nesses espaços” (parágrafo 3).

( ) “esse mundo de sonhos” (parágrafo 4).

a) VVFVV

b)FVFVV

c) VVVVV

d)FVVVV

e) VFVVV

TEXTO III.

Linguagem e interação

Maria Marta Furlaneto.

É interessante observar que, já no século XIX, a chamada função comunicativa da linguagem foi relegada a segundo plano, quando W. HUMBOLDT a encarou como acessória. Façamos parênteses: se ainda hoje – mesmo que por força de expressão – salienta-se a função comunicativa (retomada através de SAUSSURE, no Curso de lingüística geral), é que o foco de interesse dos estudiosos se desloca ciclicamente na história. Pois bem, para o primeiro plano passou "a função formadora da língua sobre o pensamento, independente da comunicação" (BAKHTIN, 1992, p. 289).

HUMBOLDT entendia que a língua é indispensável ao homem para pensar, mesmo que estivesse sempre sozinho. É a função expressiva, portanto, que se passa a focalizar (exteriorização do pensamento). BAKHTIN, porém, avalia que "a linguagem é considerada do ponto de vista do locutor como se este estivesse sozinho, sem uma forçosa relação com os outros parceiros da comunicação verbal" (ibid, p. 289).

Por outro lado, o que se generalizou, hoje, como função comunicativa corresponde a um arcabouço pobre, considerando a complexidade das relações humanas. Com efeito, os termos ‘falante-emissor’, ‘ouvinte-receptor’ pressupõem um papel ativo para o primeiro e passivo para o segundo (recepção / compreensão). Embora tal esquema corresponda a um aspecto do real, é falho quando se pretende que represente o todo da comunicação. BAKHTIN salienta que quem ouve um discurso adota para com ele uma atitude "responsiva ativa", ou seja: concorda, discorda, completa, adapta, executa – mesmo que em grau muito variável. E quem fala, por outro lado, não diz apenas palavras num mercado de simples troca de informações – pelo contrário, as palavras representam, na troca efetiva, pedidos, súplicas, ameaças, interrogações, manifestações de carinho, apreço, solidariedade; ou seja, o discurso tem a materialidade de seu selo histórico. Dizer e escutar palavras, assim, é só uma pequena parte do que se pode entender por comunicação.

Tendo em vista que o aspecto da compreensão é de importância crucial no processo de interação humana, gostaríamos de sintetizar aqui as várias facetas deste fenômeno, do ponto de vista de BAKHTIN.

Para ele, a compreensão passiva das significações do discurso ouvido não é senão uma etapa do processo que é a compreensão responsiva ativa, que corresponde a uma resposta subseqüente que, entretanto, não precisa ser fônica ou gráfica; no caso de uma ordem, ela pode realizar-se como um ato; pode, mesmo, corresponder a uma atitude que se retarde por algum tempo, e ainda ao mutismo da indiferença. Isto também vale para o discurso lido ou escrito. O próprio locutor, é claro, pressupõe a compreensão ativa responsiva: ele não esperaria que seu pensamento fosse simplesmente duplicado no espírito do outro; "o que espera é uma resposta, uma concordância, uma adesão, uma objeção, uma execução, etc." (1992, p. 291). Além disto, o locutor é também um virtual respondente, na medida em que não é o primeiro que rompe o silêncio de um mundo mudo: além do sistema da língua que utiliza e é partilhado pelos outros, ele também conta com a existência de enunciados anteriores, dele e de todos os outros – enunciados que, nas suas diversas formas, compõem um imenso arquivo nas comunidades lingüísticas. Cada enunciado funciona como um elo numa cadeia complexa de outros enunciados.

É especialmente para este papel ativo do outro que chamamos a atenção, uma vez que a concepção de linguagem como comunicação tem esquecido a bilateralidade do processo. Em suma, os enunciados concretos, como unidades interativas, se determinam pela alternância dos sujeitos, dos locutores; suas fronteiras, portanto, são sempre aquelas que se constroem com os outros. É a esse dispositivo essencial da vida comunitária que BAKHTIN chama dialogismo. O modo mais direto e evidente dessa alternância é, sem dúvida, o que chamamos tradicionalmente de diálogo, que é, então, apenas a forma mais simples e clara do dialogismo constitutivo. Cada réplica de um diálogo tem, segundo Bakhtin, um acabamento específico, que expressa uma posição do locutor, na medida em que ele faz parte de uma comunidade – desempenhando, portanto, papéis determinados em relação aos outros. Exemplos de relações entre réplicas: pergunta-resposta, asserção-objeção, oferecimento-aceitação.

Fonte: http://br.geocities.com/agatha_7031/inter.html#LINGUAGEM (Acessado em 07/12/2008).

QUESTÃO 09 (Descritor: Distinguir posicionamentos enunciativos em texto apresentado).

Assunto: Procedimento de leitura / a língua(gem) como interação.

Assinale a alternativa que FOGE à explanação do autor.

a) Citando Bakhtin, a autora menciona que é costume do locutor, na comunicação, conceber um interlocutor.

b) Moldada - a comunicação - na relação entre emissor e receptor, o texto expõe o caráter ativo do ouvinte.

c) Mesmo aparentemente contraditório, a resposta do interlocutor pode residir na “indiferença do mutismo”.

d) Devido à aleatoriedade dos enunciados, estes se configuram como peças desprovidas de elo entre si.

e) Com exceção da objeção, a resposta e a ressalva são procedimentos que instauram a bilateralidade da comunicação.

QUESTÃO 10 (Descritor: Identificar a finalidade do texto).

Assunto: Procedimento de leitura / a língua(gem) como interação.

Assinale alternativa que APRESENTA o objetivo do texto.

a) Expor que a linguagem foi feita a partir do pensamento humano.

b) Discutir o caráter responsivo da linguagem.

c) Exemplificar as maneiras de se estabelecer elos comunicativos.

d) Analisar a alternância dos sujeitos-locutores.

e) Especular o modo como se dão os posicionamentos dos interlocutores em objeções.

QUESTÃO 11 (Descritor: Identificar pressupostos e implícitos em enunciados).

Assunto: Procedimento de leitura / sobre leitura textos e leitores.

Assinale a alternativa em que o termo grifado FOGE à exclusividade do campo semântico da área da análise do discurso.

a) “(..) o que se generalizou, hoje, como função comunicativa corresponde a um arcabouço pobre,

b) “ Com efeito, os termos ‘falante-emissor’ pressupõem um papel ativo

c) “E quem fala (...) não diz apenas palavras num mercado de simples troca de informações...”

d) “Além disto, o locutor é também um virtual respondente,”

e) “(...) ele também conta com a existência de enunciados anteriores, dele e de todos os outros”

 

gabarito dos exercícios de interpretação

QUESTÃO 06

D

QUESTÃO 07

B

QUESTÃO 08

A

QUESTÃO 09

E

QUESTÃO 10

D

QUESTÃO 11

C

Semântica – Exercícios do Descomplica

exercício-enem-interpretacao-descomplica (13)Esta é uma lista de 10 exercícios bastante variados e necessários para quem está estudando para provas de vestibular, Enem e até mesmo concursos públicos. Nesta lista você verá, inclusive, exercícios de produção de texto. Não se preocupe porque coloquei no gabarito as informações necessárias para fazer bem seu exercício. Não se preocupe também com a teoria para elaborar estes exercícios, pois montei tudo me baseando nas aulas do Descomplica e você, caso tenha dúvidas sobre o Descomplica , basta acessar meu link do outro projeto educativo online.

Lista de exercícios de produção e linguagem

QUESTÃO 28 (Descritor: analisar valor semântico de preposição dentro de um contexto específico de uma oração.)

Assunto: Estrutura da oração / valor de preposição / a dimensão semântico-formal dos textos.

Articuladores podem coordenar ou encaixar um termo no outro dependendo da sua especificidade. Considerando os articuladores destacados abaixo, EXPLIQUE a diferença de sentido existente entre as construções, bem como o tipo de relação sintagmática estabelecida (coordenação ou encaixe).

I – Trocaram a porta do escritório.

II – Trocaram a porta no escritório.

III – Trocaram a porta e o escritório.


QUESTÃO 29 (Descritor: empregar e avaliar vozes verbais dentro do discurso.)

Assunto: Estrutura da oração / vozes verbais / a estrutura da oração.

É comum os usuários da língua reconhecerem a voz passiva sintética como um caso de indeterminação do sujeito. No entanto, a voz passiva sintática tem sujeito paciente expresso na frase.

Leia as construções a seguir:

I- Aprende-se muitas coisas nessa vida.

II- Procura-se soluções para o caso.

III- Necessita-se de maiores orientações.

a) O QUE leva o falante a confundir a voz passiva sintática com um caso de indeterminação do sujeito?

b) Das frases acima, qual NÃO representa um caso de voz passiva? JUSTIFIQUE.

c) De acordo com a norma culta, na voz passiva o verbo deve concordar com o sujeito paciente. Nas construções acima, que estão na passiva, esse preceito lingüístico foi observado? JUSTIFIQUE.

QUESTÃO 30 (Descritor: relacionar mecanismo gramatical à produção de sentido bem como à sua significação.)

Assunto: Estrutura da oração / vozes verbais / a estrutura da oração.

Leia o início de uma notícia publicada na Folha de São Paulo (20/04/2008).

“No último dia 02, o corpo de Mariana Beatriz Santos, 25, foi encontrado. A busca, que já durava três dias, terminou depois da denúncia anônima que levou os bombeiros até o suposto local do crime.”

No primeiro período do trecho, foi usada uma estrutura de voz passiva. EXPLIQUE por que o articulista escolheu tal construção em detrimento da voz ativa, tendo em vista os objetivos textuais do gênero em que a estrutura foi utilizada.

AS QUESTÔES DE 31 A 34 DEVEM SER RESPONDIDAS COM BASE NO TEXTO VII.

TEXTO VII

É PRECISO NÃO ESQUECER NADA

É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.

É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.

O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.

O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.

O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.

Cecília Meireles - 1962

QUESTÃO 31 (Descritor: identificar e analisar recurso de linguagem explorado na construção do texto.)

Assunto: Procedimentos de leitura / recurso de construção de texto / construindo imagens: o discurso descritivo.

EXPLIQUE em que medida o texto apresentado constrói um “jogo de contrários”. Para fundamentar a sua resposta, recorra a elementos do texto.

QUESTÃO 32 (Descritor: identificar e analisar uso de figuras de linguagem dentro do texto.)

Assunto: Figuras de linguagem / construindo imagens: o discurso descritivo.

Ao longo de seu texto poético, Cecília Meireles faz uso de inúmeras metáforas para construir a idéia do que “é preciso esquecer”. EXPLIQUE as metáforas empregadas nos versos abaixo com base nessa afirmação.

O que é preciso é ser como se já não fôssemos,

vigiados pelos próprios olhos

severos conosco, pois o resto não nos pertence.”

QUESTÃO 33 (Descritor: transformar linguagem poética em prosa.)

Assunto: Produção de texto descritivo / construindo imagens: o discurso descritivo

Ao longo de seu texto poético, Cecília Meireles descreve metaforicamente a idéia de que é preciso que nos esqueçamos. Produza um texto descritivo / argumentativo, a partir do poema lido, DESCREVENDO o esquecimento valorizado pelo eu-liríco e SOBREPONDO-O a outras possibilidades de esquecimento. Para isso, é necessário explicitar os implícitos do texto poético apresentado.

QUESTÃO 34 (Descritor: interpretar informação implícita em um texto.)

Assunto: Procedimentos de leitura / construindo imagens: o discurso descritivo.

A partir do texto, EXPLIQUE o significado dos versos abaixo:

“O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.”

QUESTÃO 35 (Descritor: relacionar períodos por meio de mecanismos conectores de modo a uni-los em uma única estrutura gramatical.)

Assunto: Período composto / emprego de pronomes relativos / sem coesão não há solução.

(UFOP - 2007) A seguir, são apresentados quatro grupos de frases. Reúna as duas frases de cada grupo, empregando pronomes relativos, de modo a construir um único período composto.

a) Tenho uma coleção de selos.

Já me ofereceram milhões por ela.

b) O futebol é um esporte.

O povo gosta muito desse esporte.

c) Há temas polêmicos.

O debate desses temas ultrapassa as fronteiras nacionais.

d) Nem todos aceitam a idéia.

Eu concordo com essa idéia.

QUESTÃO 36 (Descritor: depreender crítica central de uma charge a partir da associação entre a linguagem verbal e a linguagem não-verbal.)

Assunto: Procedimento de leitura / sem coesão não há solução.

clip_image001

FONTE: <http://www.publicidadeconcursos.buscaletras.com.br>. Acessado em 02/05/2008.

EXPLIQUE como as imagens se associam à linguagem verbal para a construção da mensagem produzida nesse texto.

QUESTÃO 37 (Descritor: reconhecer estratégia discursiva na produção de sentido de um texto.)

Assunto: Procedimento de leitura / sem coesão não há solução.

Leia atentamente o slogan do texto publicitário apresentado na questão anterior.

“Globalização é quando uma companhia aérea brasileira tem pontualidade britânica.”

EXPLIQUE que estratégia o produtor do texto utilizou para promover a companhia aérea a partir do conceito de globalização.


LEIA O TEXTO ABAIXO PARA RESPONDER À QUESTÃO 38.

AMOR E LEALDADE

Ponto de vista: Stephen Kanitz

"Se acha que ninguém o ama ou que não é amado o suficiente, talvez isso ocorra porque você não
tem sido leal com as pessoas a quem ama."

Seu filho e sua filha de 12 anos mostram enorme interesse em assistir ao filme baseado em um livro que eles estão lendo na escola. Você descobre que o lançamento será daqui a quatro sábados e promete que vai levá-los já na pré-estréia. Será uma tarde muito especial, só vocês. Você ganhou pontos como pai, fez um golaço e tanto. Melhor ainda, agora eles serão os primeiros a contar para os colegas de escola como o filme se desenrola, serão o centro da roda e heróis por um dia, graças a você. E eles começam a sonhar com o grande dia. Três semanas se passam e na quinta-feira anterior à pré-estréia seus colegas de trabalho o convidam para um jogo de futebol seguido de churrasco. Seu chefe vai estar lá, jogando com a turma. Um amigo se prontifica a buscá-lo às 10 horas do sábado. Você aceita sem pestanejar. Ser convidado para jogar com o chefe é muito importante para a sua carreira, que por sinal não anda muito bem. Seria uma boa oportunidade para fazer média. Você nem se lembrou do compromisso anterior com os filhos.

No sábado, às 10 horas em ponto, seu amigo está à porta, quando seu filho, absolutamente estarrecido, lhe pergunta: "Pai, você esqueceu o nosso filme?".

O que você faz numa situação dessas?

1. Você diz que não irá ao futebol. Pede mil desculpas ao amigo, diz que não poderá jogar conforme o prometido, pede que ele explique o ocorrido ao seu chefe, e fim de papo.

2. Você pede mil desculpas aos seus filhos, explica a situação, diz que o chefe vai estar lá, que você os levará no sábado que vem, com direito a pipoca em dobro. E tudo se resolverá a contento, sem prejuízo de ninguém.

Qual das duas opções você escolhe? Se respondeu que é a primeira, lamento dizer que você está mentindo. Todo mundo escolhe a segunda opção. Afinal, é sua carreira que poderia estar em jogo. Você bem que podia se tornar mais amigo da turma do trabalho, você está inseguro. Aliás, quem não está?

O que quero discutir aqui é a razão por trás da sua escolha, o raciocínio que determinou a decisão de postergar o cinema com os filhos. Você fez essa opção porque no fundo sabe que seus filhos o amam. E, porque o amam, eles entenderão. Sem dúvida, eles ficarão desapontados, mas não para sempre. Afinal, você conseguiu conciliar a agenda de cada um, só vai demorar mais um pouquinho.

Porém, com esse tipo de raciocínio, você acaba colocando as pessoas que o amam para trás. Justamente as pessoas que nos amam é que acabamos decepcionando, vítimas dos nossos erros do dia-a-dia. Que recompensa é essa que dispensamos àqueles que nos amam e que nos são leais? Por quanto tempo eles continuarão nos amando diante de atitudes assim?

Eu não tenho a menor dúvida de que você escolheu jogar futebol porque sabe muito bem que seu chefe não o ama. Muito pelo contrário, ele não está nem aí para você. Ele pode substituí-lo na hora que quiser, sem um pingo de remorso. Você aceitou jogar com os colegas para que eles gostem um pouco mais de você. E com os seus filhos, que já o adoram, você aproveitou para negociar. Eles não vão dizer nada, vão entender, mas sentirão calados uma punhalada nas costas. A lógica diz que deveríamos ser leais com as pessoas que nos amam, mas na prática fazemos justamente o contrário.

Se acha que ninguém o ama ou que não é amado o suficiente, talvez isso ocorra porque você não tem sido leal com as pessoas a quem ama. Achar que elas serão sempre compreensivas e razoáveis é seguramente o caminho para o desastre. Seus filhos acreditarão em você na próxima vez que lhes fizer uma promessa? Eles aprenderão o significado da palavra lealdade?

Seu chefe vai esquecê-lo totalmente um mês depois de você se aposentar, bem como os seus colegas de trabalho. Os únicos que jamais vão esquecê-lo são seus filhos, pela sua lealdade ou pelas pequenas decepções e infidelidades cometidas por você ao longo da vida.

FONTE: <http://www.revistaonline.com.br>. Acessado em 16/05/2008.

QUESTÃO 38 (Descritor: produzir texto dissertativo a partir de um outro texto e/ou de idéias constantes em outra produção.)

Assunto: Produção de texto dissertativo / produção de texto.

O texto publicado pela revista Veja, em maio de 2008, critica as escolhas que fazemos motivados por interesses profissionais. Com base na leitura do texto “Amor e Lealdade”, produza uma dissertação ARGUMENTATIVA, em terceira pessoa, com posicionamento explícito, acrescentando argumentos em relação aos que já foram apresentados. Seja qual for a sua opinião, é necessário fundamentá-la de modo consistente. Dê um título à sua produção.

Gabarito dos exercícios

QUESTÃO 28

I- adjunto adnominal – encaixe.

II- adjunto adverbial – encaixe.

III- complementos verbais – coordenação de objetos.

QUESTÃO 29

a) Esse tipo de confusão está vinculado ao fato de o agente da ação verbal não aparecer expresso na passiva sintética.

b) A frase III, pois o verbo é transitivo indireto, formando sujeito indeterminado.

c) Não, pois os verbos das frases I e II estão no singular, e seus sujeitos se encontram no plural, contrariando as relações lógicas de concordância verbal.

QUESTÃO 30

A voz passiva permite dar foco à vítima em detrimento do agente. No caso da NOTÍCIA, essa prática é muito usual, uma vez que o locutor escolhe quem será topicalizado.

QUESTÃO 31

O eu-poético inicia o texto dizendo que “é preciso não esquecer nada”, mas vai, ao longo de seu discurso, revelando a importância do esquecimento do “eu” para que seja possível ver ao nosso redor o que é relevante.

QUESTÃO 32

A metáfora aponta para o excesso de cobranças que nos impomos e que, segundo o eu-poético, devem ser esquecidas.


QUESTÃO 33

O aluno deve produzir um texto compatível com as orientações do enunciado.

Sugestão de Grade de Correção:

GRADE DE CORREÇÃO

(ENEM )

COMPETÊNCIA 1 - DEMONSTRAR O DOMÍNIO DA NORMA CULTA DA LÍNGUA

COMPETÊNCIA 2
COMPREENDER A PROPOSTA DE REDAÇÃO E APLICAR CONCEITOS DAS VÁRIAS ÁREAS DE CONHECIMENTO PARA DESENVOLVER O TEMA, DENTRO DOS LIMITES ESTRUTURAIS DO TEXTO DISSERTATIVO/ARGUMENTATIVO.

COMPETÊNCIA 3
SELECIONAR, RELACIONAR E INTERPRETAR INFORMAÇÕES , FATOS, OPINIÕES E ARGUMENTOS EM DEFESA DE UM PONTO DE VISTA.

COMPETÊNCIA 4
DEMONSTRAR CONHECIMENTO DOS MECANISMOS LINGÜÍSTICOS NECESSÁRIOS PARA A CONSTRUÇÃO DA ARGUMENTAÇÃO.

COMPETÊNCIA 5
ELABORAR PROPOSTA DE SOLUÇÃO PARA O PROBLEMA, MONSTRANDO RESPEITO AOS VALORES HUMANOS E CONSIDERANDO A DIVERSIDADE SOCIOCULTURAL.

Critérios para correção de textos dissertativo-argumentativos

Descrição:

Valor:

Nota:

Competência 1

20%

Competência 2

20%

Competência 3

20%

Competência 4

20%

Competência 5

20%

Total de pontos

QUESTÃO 34

Os dois versos sugerem que as pessoas não dependem de glória e reconhecimento, tampouco de atitudes. Assim, não se deve valorizar em demasia o caráter utilitário da vida e do homem.

QUESTÃO 35

Sugestões:

a) Tenho uma coleção de selos pela qual já me ofereceram milhões.

b) O futebol é um esporte de que o povo gosta muito.

c) Há temas polêmicos cujo debate ultrapassa as fronteiras nacionais.

d) Nem todos aceitam a idéia com a qual concordo.

QUESTÃO 36

O slogan faz referência à companhia ilustrada no texto publicitário, bem como a um conhecimento popular acerca da pontualidade britânica. Assim, a idéia verbal de globalização é ampliada e confirmada pelas imagens do passaporte e do avião.

QUESTÃO 37

A globalização é um processo típico da segunda metade do séc. XX, que conduz à crescente integração das economias e das sociedades dos vários países, especialmente no que toca à produção de mercadorias e serviços, aos mercados financeiros e à difusão de informações. Assim, o produtor do texto faz uma analogia entre o conceito real e o metafórico, empregado no anúncio.


QUESTÃO 38

O professor deve avaliar se o aluno manipulou adequadamente os dados fornecidos e se o texto produzido está compatível com o gênero proposto.

Sugestão de Grade de Correção:

GRADE DE CORREÇÃO

(ENEM )

COMPETÊNCIA 1 - DEMONSTRAR O DOMÍNIO DA NORMA CULTA DA LÍNGUA

COMPETÊNCIA 2
COMPREENDER A PROPOSTA DE REDAÇÃO E APLICAR CONCEITOS DAS VÁRIAS ÁREAS DE CONHECIMENTO PARA DESENVOLVER O TEMA, DENTRO DOS LIMITES ESTRUTURAIS DO TEXTO DISSERTATIVO/ARGUMENTATIVO.

COMPETÊNCIA 3
SELECIONAR, RELACIONAR E INTERPRETAR INFORMAÇÕES , FATOS, OPINIÕES E ARGUMENTOS EM DEFESA DE UM PONTO DE VISTA.

COMPETÊNCIA 4
DEMONSTRAR CONHECIMENTO DOS MECANISMOS LINGÜÍSTICOS NECESSÁRIOS PARA A CONSTRUÇÃO DA ARGUMENTAÇÃO.

COMPETÊNCIA 5
ELABORAR PROPOSTA DE SOLUÇÃO PARA O PROBLEMA, MONSTRANDO RESPEITO AOS VALORES HUMANOS E CONSIDERANDO A DIVERSIDADE SOCIOCULTURAL.

Critérios para correção de textos dissertativo-argumentativos

Descrição:

Valor:

Nota:

Competência 1

20%

Competência 2

20%

Competência 3

20%

Competência 4

20%

Competência 5

20%

Total de pontos

Atividade sobre procedimento de leitura

exercício-enem-interpretacao-descomplica (8)Você sabe quais os casos em que um candidato pode tirar zero na redação do Enem? Poderá tirar nota zero o candidato que copie trechos dos textos motivadores ou apresente fuga do tema. As notas das matérias não são avaliadas em número de acertos, mas sim em níveis de dificuldade e coerência nas respostas, ou seja, se estatisticamente uma questão tiver mais erros, será considerada mais difícil e mais pontos o candidato terá, porém, ao acertar questões mais difíceis, espera-se que este participante acerte maior número de questões fáceis e médias. Caso erre uma questão que teve maior número de acertos, sofrerá maior penalização de perda de pontos, sendo esta uma das técnicas antichute das notas do Enem. As provas serão corrigidas através de computadores através dos cartões de resposta. sabendo disso, é cada vez mais importante que o estudante se prepare com exercícios e propostas de redação atuais para o Enem. É isso que trazemos abaixo para vocês.

Lista de exercícios para Enem

AS QUESTÕES DE 19 A 24 DEVEM SER RESPONDIDAS COM BASE NO TEXTO IV.

(AS QUESTÕES DE 19 A 20 SÃO DO VESTIBULAR SERIADO DA UFU – 2006.)

TEXTO IV

Dezesseis palavras que choram

1. Afinal, o governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, deve ser condenado por crime de racismo? Desde o último dia 31, quando, em evento na cidade-satélite de Brazilândia, ele qualificou como “crioulo” um cidadão que o hostilizava, a questão está posta. O PT de Brasília, acérrimo adversário do governador, iniciou processo contra ele. Teve gente que protestou. Se as palavras de Roriz merecem ou não condenação será o nosso tema, mas antes detenho-me na frase por inteiro, que aqui vai reproduzida em maiúsculas e num parágrafo à parte, para lhe realçar o sabor:

2. ALI ESTÁ UM CRIOULO PETISTA QUE EU QUERO QUE VOCÊS DÃO UMA SALVA DE VAIA NELE.

3. A frase, mesmo que não contivesse o “crioulo”, já seria um assombro. Suas dezesseis palavras configuram um pandemônio sintático. Além disso, do primeiro “que” ao “nele” do final, passando pelo “dão” em vez de “dêem” e à “vaia” em vez de “vaias”, há atentados de toda ordem contra a língua portuguesa. O conjunto todo é de levar o professor Pasquale a nocaute. Menção de honra vai para a “salva de vaia”. A “salva” que se conhece é de palmas. Roriz inventou a “salva de vaia” – ou, melhor ainda, de “vaia”. De todo modo, o cerne da questão está no “crioulo”. Ele revelaria não apenas um transgressor da gramática, mas da lei, vejamos as linhas de defesa de que disporia o governador.

4. Crioulo, ao contrário do que geralmente se pensa, não quer dizer “negro”. Quer dizer: “cria da terra”, “filho do local”. A palavra proviria de “criadouro”. Com o tempo, perdeu um “d” aqui e um “r” ali, ganhou um “l” e virou crioulo. No Brasil da escravidão, o crioulo se opunha ao africano. Este era o escravo ainda de primeira geração, nascido na África. O crioulo era o já nascido no Brasil, filho de uma escrava que deu cria. Esse sentido se aparenta ao dos países hispano-americanos, onde “crioulo”, nos tempos coloniais, era o habitante nascido na colônia – o branco, não o negro nem o índio – , em oposição ao que nascera na Espanha. Também se aproxima do “créole” francês, palavra usada para identificar o dialeto falado nas colônias, mistura do francês com línguas locais. Ou seja: uma língua criada no local.

5. Dito isso, temos um primeiro argumento em favor de Roriz. Ele não estaria dizendo “Ali está um negro petista etc.”, mas sim “Ali está um filho desta terra...” Já que estamos no afã de refazer-lhe a frase, poderíamos ir além, e corrigi-la também no português, para ficar mais palatável aos julgadores. Ela ficaria assim, igualmente em maiúsculas e num parágrafo isolado:

6. ALI ESTÁ UM FILHO DESTA TERRA, POR SINAL PETISTA, PARA O QUAL PEÇO QUE VOCÊS DESTINEM UMA SONORA VAIA.

7. Não pegou? Tal linha de defesa soa forçada. Há outra. A de que tudo não teria passado de brincadeira. Esta é, na verdade, a linha que está sendo usada por Roriz. Ele conheceria o “crioulo” em questão, e a palavra com que se referiu a ele representaria uma fórmula carinhosa. O governador do Distrito Federal até identificou o destinatário da frase. Seria um certo Marinalvo Nascimento, um cabo eleitoral (...)

8. Eis-nos diante de argumento muito usado pelos acusados de racismo verbal. “Criolo”, assim como “negão”, seria manifestação de carinho. Talvez existam, mas são sem dúvida raros os casos em que um negro manifesta o apreço a um branco chamando-o de “brancão”. Mas branco chamar negro de “negão” pode. Acresce, no caso de Roriz, que ele reserva suas fórmulas carinhosas, segundo seu secretário de Comunicação, às “pessoas mais simples”. As pessoas mais complexas, infere-se, delas são dispensadas.

9. Aceitemos as alegações do governador. Era um amigo e foi brincadeira. Mas o amigo, o tal Marinalvo Nascimento, não era um correligionário? Sem dúvida. É até cabo eleitoral de um próximo companheiro do governador. Por que cargas-d’água, então, foi Roriz chamá-lo de petista? E por que foi pedir uma vaia para ele? Nesse ponto, sempre no afã de oferecer linhas de defesa ao governador, resta alegar que ele foi vítima de dois lapsos de linguagem. Quando disse “petista”, o que quis dizer é que não se tratava de um petista. Falou o “não”, só isso. Quanto às vaias... Já não se disse acima que quem diz “salva” quer dizer sempre “salva de palmas”? Pois foi isso que o governador quis dizer. Por um lapso, trocou “palmas” por “vaias”, mas o que quis dizer mesmo foi “palmas”. O que nos leva à última correção, para que a frase enfim se revista de sua definitiva forma e real significado:

10. ALI ESTÁ UM FILHO DESTA TERRA, ALGUÉM LONGE DE SER UM PETISTA, PARA O QUAL PEÇO QUE VOCÊS DESTINEM UMA SALVA DE PALMAS.

11. Conclusão: Na verdade, Roriz deve ser condenado não por racismo, mas porque não sabe o que diz.

TOLEDO, Roberto Pompeu de. Veja. São Paulo: 13.fev.2002

QUESTÃO 19 (Descritor: depreender de uma afirmação explícita outra afirmação implícita.)

Assunto: Procedimento de leitura.

Assinale a alternativa que apresenta análise mais ADEQUADA do texto.

A) Discute a evolução dos estudos gramaticais a partir do discurso de um político brasileiro.

B) Defende normas que os gramáticos impõem para que os falantes não as transgridam.

C) Denuncia uma alta autoridade, criticando-a por usar inadequadamente a língua numa situação de comunicação.

D) Explica, de maneira bem-humorada, os deslizes cometidos por determinados falantes que contrariam as normas gramaticais.


QUESTÃO 20 (Descritor: relacionar dois textos a partir do conteúdo e/ou da tese defendida.)

Assunto: Procedimento de leitura.

Leia atentamente a frase a seguir:

Suas dezesseis palavras configuram um pandemônio sintático.

Todas as afirmativas seguintes sustentam o pensamento do autor, expresso na frase em destaque, EXCETO

A) “Basta pensar que a língua brasileira é outra. Uma pequena mostra de erros de redação coletados na imprensa revela que o português aqui transformou-se num vernáculo sem lógica nem regras”.

(FELINTO, Marilene. O português que o brasileiro não sabe escrever. Folha de S. Paulo, Caderno Cotidiano, 4 jan. 2000).

B) “Não podemos nos esquecer de que grande parte da população brasileira é semi-analfabeta e, se ainda mal sabe ler e escrever o nosso idioma, como cobrar-lhe o entendimento em outra língua?”

(RODRIGUES, Fátima Soares. Língua, identidade de um povo. Estado de Minas. 23 abr. 2002 )

C) “A língua que falamos é mesmo o português, ou já é o brasileiro? Está em crise a língua que falamos e escrevemos no Brasil? “ (LOPES, Carlos Herculano. A língua é do povo. Estado de Minas. Caderno Opinião, 10 de fev. 2002)

D) “Os artistas da palavra não passam para a posteridade porque rompem com a norma, mas porque sabem tirar proveito da ruptura. A transgressão, para ser bem-sucedida, deve possuir função estrutural.” (TEIXEIRA, Ivan. Veja. Errar é divino, São Paulo, 21 abr. 1999)

QUESTÃO 21 (Descritor: reconhecer questões típicas da oralidade dentro de um texto.)

Assunto: Norma culta x norma coloquial.

Assinale a alternativa em que o trecho transcrito apresenta uma forma que é consagrada na oralidade, mas NÃO é aceita pelas regras da norma escrita culta:

A) “Aceitemos as alegações do governador. Era um amigo...”

B) “O crioulo era o já nascido no Brasil, filho de uma escrava que deu cria.”

C) “Mas o amigo, o tal Marinalvo Nascimento, não era um correligionário?”

D) “O PT de Brasília, (...), iniciou processo contra ele. Teve gente que protestou.”

QUESTÃO 22 (Descritor: depreender de uma afirmação explícita outra afirmação implícita.)

Assunto: Procedimento de leitura.

Após a leitura do texto, pode-se concluir que a frase pronunciada pelo governador do Distrito Federal

A) apresentou-o como alguém que cometeu um atentado contra o idioma.

B) equiparou-o àqueles que apregoam a defesa das variações lingüísticas a serem preservadas.

C) desvalorizou-o por desconhecer a grafia correta de determinadas palavras.

D) fortaleceu-o, pois ele defendeu, com seu discurso, o dinamismo da língua.


QUESTÃO 23 (Descritor: reconhecer mecanismos de retomada de termos dentro do discurso.)

Assunto: Elementos dêiticos/procedimento de leitura.

Em todas as alternativas, o termo destacado está adequadamente correlacionado, EXCETO em

A) “... para lhe realçar o sabor...” (§ 1)

· lhe = da frase

B) “Há outra. A de que tudo não teria passado de brincadeira.” (§ 7)

· A = linha de defesa

C) Este era o escravo ainda de primeira geração...” (§ 4)

· este = escravo

D) “As pessoas mais complexas, infere-se, delas são dispensadas.” (§ 8)

· delas = das fórmulas carinhosas

QUESTÃO 24 (Descritor: reconhecer elementos equivalentes na formação de vocábulos.)

Assunto: Processos de formação de palavras/procedimento de leitura.

... ele qualificou como “crioulo” um cidadão que o hostilizava.

Nas frases a seguir, o valor semântico de des- coincide com o do par qualificou/desqualificou apenas em

A) Enquanto isso, crianças desnutridas passeavam pela rua deserta.

B) Aqueles eram parentes desavindos e casmurros.

C) Enquanto descamava o peixe, sorria ruidosamente.

D) A descida da cruz é a representação do Cristo morto.

 

gabarito dos exercícios

QUESTÃO 19

C

QUESTÃO 20

D

QUESTÃO 21

D

QUESTÃO 22

A

QUESTÃO 23

C

QUESTÃO 24

A

Uso de charges nas aulas para Enem

Todos vimos com repúdio a morte de uma onça que foi usada na passagem da tocha por um dos estados do Norte do Brasil. Colocaram lado a lado a onça e a tocha. O animal, assustado com tanto barulho, agitação, recusou-se a obedecer o soldado do exército que a levava. Atacou-o e para salvá-lo, outros atiraram na onça. É apenas mais uma das marcas tristes que a Olimpíada trouxe para o Brasil. Levar para sala de aula a discussão sobre maus tratos com animais é uma obrigação nossa de professores e, caso haja boa vontade, é um assunto que pode ser trabalhado nas mais diversas disciplinas e não apenas nas aulas de redação para o Enem.


Uso do Mal e MAU

É certo que muitas pessoas ainda confundem a grafia de certas palavras que são classificadas como homófonas e até mesmo as parônimas. Isso porque o uso cotidiano nem faz muita distinção entre elas. Mas são diferentes sim. É preciso estudar, conhecer essas palavras para não cometer equívocos na hora de redigir um bom texto dissertativo no vestibular. Mais que isso, em situações mais formais, o erro pode comprometer a credibulidade do falante.

Veja abaixo um exemplo de tirinha que pode ser usada num eventual exercício de Português.


Charge sobre desmatamento

Um dos temas mais recorrentes nas provas de vestibular, concursos e nas aulas de redação nos cursinhos por aí é meio ambiente. Depois do que aconteceu em Mariana, Minas Gerais, mais se fala sobre desastres e suas consequências sobre a vida da população.
A questão é polêmica, mas todos sabemos da importância que é cuidar do meio em que vivemos. Tenho falado disso bastante nos meus sites, sobretudo no site de redação para o Enem. Lá publiquei um artigo com os possíveis temas da redação do Enem e neste artigo coloquei inúmeras charges que trabalhei e trabalharei em sala de aula. Confira lá.


A charge acima mostra muito bem que ao destruirmos a natureza estaremos também destruindo a nossa própria vida. As relações entre destruição do meio ambiente e extinção da raça humana são perceptíveis. A figura da morte ceifando a vida do "lenhador" é bastante forte. Chama minha atenção também o pano de fundo da imagem: uma floresta desmatada. isso mostra o estágio avançado do processo.

Charge sobre o poder paralelo

Infelizmente, no Brasil, estamos nos acostumando a certas práticas e estas estão se intitucionalizando. O que ocorrreu recentemente no Rio de Janeiro com o avanço da polícia sobre o poder dos traficantes nas favelas é uma mostra clara de que os bandidos já tomaram parte do poder. Até agora tenho pra mim que a fuga dos chefões do tráfico pelos túneis sem que ninguém soubesse é nada mais nada menos que uma facilitação por parte de alguns policiais corruptos, Sabemos que eles existem e por isso, a charge abaixo torna-se a representação de uma realidade triste, mas que é uma realidade.

charge_internet_poder_paralelo

Charge sobre candidatos políticos na eleição

internet_charge_gratis_politica